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RECORDAR: SERGE CADORIN
quinta, 05 de maio de 2016
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Cadorin foi avançado do Portimonense Sporting Clube nos anos 80, numa altura em que a nossa equipa militava na então I Divisão Nacional.

(3.º em baixo,da esquerda,nas camadas jovens do F.C.Liége. Foto: http://algarvalentejo.blogspot.pt/)

Chegou a Portimão em 1983, transferido do FC Liége, por indicação de Norton de Matos e de Luciano D´Onofrio, ex-jogadores do Standard de Liége.

A sua estreia ocorreu frente ao nosso eterno rival Sp. Farense no dia 28/08/1983, e logo com um golo marcado aos 83 minutos que garantira o empate (2-2).

(Cadorin em destaque no jogo contra o Farense em 1983. Foto: http://algarvalentejo.blogspot.pt/)

(Cadorin,ao centro,após marcar um golo ao Farense no "Derby" algarvio de 1983/84. Foto: http://algarvalentejo.blogspot.pt/)

Foi o começo da carreira em Portimão deste avançado para quem mesmo passados tantos anos perdura a fama junto dos adeptos, mesmo daqueles mais jovens que nunca o viram jogar, tendo sido sem duvida uma das grandes referências do PSC.

O avançado belga destacou-se como o melhor marcador do Portimonense, e um dos melhores da 1ª Divisão portuguesa, contribuindo com 15 golos para um dos maiores feitos de sempre do clube de Portimão, o ainda inédito apuramento para a Taça UEFA na época 84/85, sagrando-se como o 3º melhor marcador do campeonato, tendo marcado um total de 32 golos ao serviço do emblema da cidade de Portimão.

(Cadorin, em cima, á esquerda,no Portimonense em 1985/86 no jogo da Taça UEFA contra o Partizan. Foto: http://algarvalentejo.blogspot.pt/)

Em 1986, esteve em mãos um pré-acordo com o Sporting, e até de Espanha havia interesse no jogador, saiu na época na secção de desporto do jornal ABC de Madrid "El Atlético de Madrid se encuentra interesado en el fichaje del delantero del Portimonense, el jugador belga Serge Cadorin".


(Excerto de uma entrevista de Cadorin no jornal "A Bola" de 1985. Imagens: http://algarvalentejo.blogspot.pt/)


Contudo um grave acidente doméstico deitou por terra estas possibilidades quando no Verão desse ano, em plenas férias no seu país (explosão de uma bilha de gás), sofreu queimaduras graves, chegando a estar em coma durante quase dois meses, Cadorin ainda recuperou e voltou a jogar mas já não era o mesmo jogador.

Ainda fez uma ultima época no Portimonense em 1988/89 (depois uma temporada na Académica,em vez do Sporting...)

Já de volta ao seu pais, manteve grandes amizades em Portugal, nomeadamente com o ex-presidente do Vitória de Guimarães Pimenta Machado e com o também já falecido Vítor Damas. Nunca esqueceu o “seu” Portimonense e, segundo consta, telefonava todas as semanas para saber a sorte do clube que o acolheu em Portugal.

Serge Cadorin faleceu na sua cidade natal, Liége, na Bélgica, vítima de um ataque cardíaco, aos 45 anos.

Em comunicado a direcção da formação algarvia anunciou: «O Portimonense Sporting Clube está de luto pelo falecimento do seu ex-atleta Serge Henry Helene Cadorin».

No comunicado, o Portimonense enaltece as «grandes qualidades humanas e profissionais» de Cadorin, «relembrando o grande contributo dado para a história do Portimonense, através de tantas jogadas e golos fantásticos que ainda hoje são recordados pelos seus adeptos».

«A partir de hoje, ficamos mais pobres porque vemos partir alguém que marcou uma época deste clube e que, mesmo depois de deixar de jogar futebol, nunca deixou de ser um portimonense fervoroso, telefonando sempre, domingo após domingo, para se inteirar dos resultados da sua equipa do coração», conclui a direcção no seu comunicado.

O Presidente do Portimonense, Fernando Rocha, lamentou “a perda de um dos grandes símbolos do clube” e antes do jogo com o Olivais e Moscavide cumpriu-se um minuto de silêncio, bem como a bandeira do emblema de Portimão esteve a meia haste.

Manuel José, seu Treinador na época, era o seu conselheiro e confidente, uma das raras pessoas a quem o belga ouvia, referiu-se a Cadorin como "um cometa que passou pelo Futebol português, sempre pela direita", apelidando-o de "James Dean" em comparação com o célebre actor norte-americano.

Os adeptos do Portimonense não esquecem Serge Cadorin, que continuará bem vivo na nossa memória, pelos seus golos, movimentações rápidas e estonteantes… e pela sua irreverência…


Cadorin e a sua filha Sandy, aqui na praia ainda enquanto jogador do Portimonense.

Este retrato de Cadorin foi oferecido à filha Sandy por Alain, também ele antigo jogador do Portimonense.

Foi o próprio Alain o autor do retrato, feito após a morte do seu ex-colega e amigo.


Excertos de uma entrevista feita por por Pedro Azevedo "Guetov" a Sandy, filha do jogador no blogdoportimonense.blogspot.com em Janeiro de 2008

Do autor: " Serge Cadorin foi um ídolo da minha juventude e é com uma enorme alegria e com muita nostalgia que deixo o meu contibuto para preservar para sempre a memória daquele que foi sem margem de dúvidas um dos melhores jogadores que passaram por Portugal e pelo Portimonense. Ficam então as palavras da sua filha, Sandy, a quem agradeço desde já a sua colaboração, sem a qual nunca poderia ter levado a efeito este trabalho."


Pergunta: Gostava que me deixasses o percurso/curriculum de Serge Cadorin enquanto jogador. Sei que ainda como júnior representou o F.C.Liège dos 17 aos 19 anos, tendo aos 19 transferido-se para o Borussia de Moenchengladbach (Alemanha), onde também permaneceu por duas temporadas. Voltou ao F.C.Liège onde ficou um ano, tendo depois vindo para Portimão onde ficou as temporadas de 1983/84, 1984/85 e 1985/86. Presumo que após o acidente doméstico ocorrido no verão de 1986 tenha ficado uma época sem jogar depois de ter assinado pelo Sporting. Ingressa na Académica em 1987/1988 e regressa ao Portimonense em 1988/1989. A partir daqui já não tenho qualquer registo, será que me consegues ajudar a completar o seu percurso?

Resposta: "Em 1989 voltámos para a Bélgica, tendo a minha mãe ficado grávida do meu irmão que nasceu dia 8 de Dezembro de 1988. Acabámos por ficar definitivamente na Bélgica onde o meu pai jogou mais um ano no F.C. Tongres (IIª divisão). Os meus pais começaram a trabalhar nas feiras, vendendo texteis. O négocio acabou por crescer e o meu pai deixou o Futebol."

Pergunta: Cadorin era natural de Stavelot. Como foi a sua infância nessa cidade belga e de que forma o futebol entrou na sua vida?

Resposta: "O meu pai nasceu em Stavelot mas cresceu em Rocourt (perto do F.C. Liège). O meu avô paterno também jogou Futebol no F.C. Liège e foi ele que incitou o meu pai a jogar Futebol, tendo iniciado a sua prática desde muito jovem."

Pergunta: Foi Norton de Matos que sugeriu Cadorin ao Portimonense. Como viveu ele esta experiência em Portugal e mais concretamente em Portimão? Como foi a sua adaptação? Será que ele manteve laços de amizade com Norton de Matos ou outros colegas com quem jogou em Portimão?

Resposta: "Foi Norton de Matos que sugeriu Cadorin ao Portimonense mas acabou por ser Luciano D’Onofrio. que propõe ao meu pai ir para Portugal.
O meu pai adaptou-se rapidamente e adorou desde início a sua experiência em Portimão. Os meus pais aprenderam rapidamente a língua portuguesa e adaptaram-se muito bem, acabando por fazer muitas amizades! O meu pai manteve muitos laços de amizade, nomeadamente com Nivaldo (jogador brasileiro), o treinador Manuel José, o ex-colega Vitor Damas e muitas outras pessoas ligadas ao Portimonense e à cidade de Portimão. Foi nesta cidade que ele passou os momentos mais felizes da sua vida, acabando por ficar para sempre com muitas saudades de Portimão até o último dia da sua vida
."

Pergunta: Tu nasceste em Portugal ou na Bélgica? Que recordações tens de Portimão, das praias e será que te lembras de ver Cadorin a jogar pelo Portimonense?

Resposta: "Eu nasci na Bélgica mas cheguei a Portugal com apenas duas semanas de idade ! As minhas recordações dessa época são poucas, me lembro-me desse período quando vejo as fotos ou quando os meus pais falavam comigo da nossa vida em Portimão. Não me lembro de ver o meu pai jogar pelo Portimonense mas a minha mãe contou-me que eu ia muitas vezes aos treinos com o meu pai. Lembro muito bem que eu e a minha mãe escutávamos os relatos pela rádio no apartamento quando o meu pai jogava e cada vez que marcava nós gritávamos Gooooaaaaaaalllll e saltávamos por todo o lado! Lembranças muito boas… Disto lembro-me como se fosse ontem! Incrível não é? Eu era ainda tão pequenina!!!"

Pergunta: Sei que após ter abandonado o Futebol, Cadorin ficou ligado aos texteis, importando materiais de Guimarães, se não estou em erro e vendendo posteriormente em feiras na Bélgica. Sei também que ficou bem relacionado com Pimenta Machado, na altura Presidente do Vitória de Guimarães. Como surgiu esta ligação e como se passaram esses anos após o terminus da sua carreira?

Resposta: "Correcto, depois ter abandonado o Futebol, o meu pai trabalhou nas feiras vendendo texteis com a minha mãe. A ligação com Pimenta Machado surgiu atravês do jogador belga ligado ao Vitótoria de Guimarães, Patrick Asselman. O meu pai trabalhou para o Vitória de Guimarães, como olheiro, indicando jogadores e fez também algumas transferências de jogadores para o Marítimo. Os anos passados na Bélgica, após o final de carreira do meu pai, foram passados a trabalhar nas feiras. Voltámos algumas vezes a Portugal de férias. O meu pai tinha sempre vontade de ir passar férias a Portugal!"

Pergunta: Como acompanhou Cadorin o Futebol português após ter regressado à Bélgica? Com quem manteve contacto? Se acompanhou sempre a carreira do Portimonense e como assistiu ele à queda do clube nas divisões secundárias?

Resposta: "O meu pai ligava muitas vezes aos seus amigos de Portugal (nomeadamente Manuel João). Ele teve muita pena da queda do Portimonense."

Pergunta: Cadorin chegou a regressar a Portimão de férias? E tu também já chegaste a voltar a Portugal e ao Algarve? Que recordações guardas tu deste local?

Resposta: "Nos voltámos muitas vezes a Portugal de férias. O meu pai queria sempre voltar a este país que adorava! Era o país dele, o país do coração dele! A última vez que eu fui a Portugal foi em Agosto de 2005 com a minha mãe e o meu irmão. O meu pai não foi dessa vez porque era a temporada alta nas feiras e tinha que ficar na Bélgica para trabalha. Mas voltou sózinho de férias também! Nós fomos convidados muitas vezes pelos amigos do meu pai. Tenho um monte de recordações de Portugal… Nem sei contar quais me marcaram mais !!!"

Pergunta: Na tua opinião, neste momento, se fosse vivo, o que é que o teu pai gostaria de dizer, de comentar sobre o Portimonense, que nunca o tenha feito em vida?

Resposta: "O meu pai simplesmente adorou Portugal e o Portimonense. Tenho a certeza que teria adorado passar os últimos momentos da vida dele neste país. Não sei o que ele poderia dizer agora que não tenha dito em vida porque falava sempre do Portimonense com muita adoração e paixão. Ele deve ter ficado muito triste da queda da carreira dele derivado do infeliz acidente."

Pergunta: Para o teu pai qual foi o ponto alto da sua carreira? O tempo que passou no Portimonense e os golos que marcou? Ou as 37 vezes que foi Internacional pela Bélgica em Juniores e as 7 pela Selecção de Esperanças?

Resposta: "O ponto alto da carreira do meu pai foi a época antes do acidente quando era solicitado pelos grandes clubes de Portugal. A melhor época da vida do meu pai foi o tempo que passou no Portimonense e claro, os inúmeros golos que marcou."

O autor acaba a entrevista assim: "Para a Sandy Cadorin e para a sua mãe deixo o meu agradecimento por terem aceite o meu convite. Posso adiantar que a Sandy respondeu a todas as perguntas em português. Serge Cadorin continuará para sempre vivo na minha memória, marcando muitos golos e contribuindo para alegria de todos os Portimonenses. Nunca serás esquecido!"

 



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Estes Arquivos, são um projecto de Lúcio Sacristão, que desde o inicio do site oficial do clube em 2009, procura reunir neste espaço todos os resultados, factos e imagens que digam respeito à história do Portimonense.

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