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ARQUIVOS: CLUBE
CONHEÇA A ÁGUIA-DE-BONELLI DO SIMBOLO DO CLUBE
quinta, 12 de dezembro de 2013
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À excepção de ornitólogos ou de turistas da natureza, poucos saberão que nos céus do Sul de Portugal há uma ave que é rainha.

Bonelli: a águia que personifica o clube e os algarvios, veio substituir a velhinha águia do símbolo do clube, transformou-se em mascote das escolas de formação e até inspirou o nome da revista do clube.

Mas quem é afinal a Águia-de-Bonelli?
 
A Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus) ou Águia Perdigueira é um super-predador dos céus que está em declínio na Europa e no Norte de Portugal, mas regista um notável crescimento no Algarve e Baixo Alentejo.
 
A adaptação ao meio é um dos grandes segredos para a sobrevivência de qualquer espécie. E a águia de Bonelli não foge à regra: criou uma característica particular para se desenvolver no Sul de Portugal, à falta de escarpas para nidificar, como acontece no resto do País e na Europa, os casais passaram a fazê-lo em árvores. E, pelos vistos, com grande sucesso.
 

 A plumagem escura nas asas contrasta com a branca na parte inferior do corpo, onde algumas plumas pretas fazem lembrar as listas alvi-negras das camisolas do Portimonense.
 
 
 Sendo a águia mais avistada no concelho de Portimão, desde há muitos, muitos anos, e também por ser aqui, no Sul de Portugal, o único local em todo o mundo onde esta espécie faz ninhos em árvores e não em rochedos, valeu a aproximação do clube à águia tendo adoptado a sua imagem, substituindo a antiga águia dourada (na verdade, de espécie indiferenciada) sobre o escudo do clube, quando em 2007, decidiu renovar a sua imagem.
 
A própria União Europeia vê esta ave como uma espécie prioritária, a cuidar e a preservar, a tal ponto que apoia, neste momento, um grande projecto de recuperação e repovoamento da espécie, para que a Águia-de-Bonelli possa continuar o seu voo majestoso.
 
É caso para dizer que a Águia-de-Bonelli portuguesa é uma águia com carisma, tal como o Portimonense é um clube com uma identidade vincada.
 

Encontra-se no site http://seguimentodeaves.domdigital.pt/aguias/aguias/aboneli.htm, a informação detalhada sobre esta espécie que passamos a transcrever:
 

 
Águia de Bonelli
 
 
Fotos: João Cosme
 

 

 

 

Nome: Águia de Bonelli, Águia-perdigueira Hieraaetus fasciatus
Nomes regionais: Águia-caçadeira, Caçadeira, Pardinha
Família: Accipitridae.
Espécie: Hieraaetus fasciatus
 
Estatuto de Conservação
Europeu: Em perigo.
Nacional (Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (SNPRCN 1990): Rara.
Espanha: Rara.
SPEC: 3 (Espécie com estatuto de conservação desfavorável, não concentrada na Europa).
 Protecção legal
Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril, Transposição da Directiva Aves (79/409/CEE de 2 de Abril) - Anexo I e Espécie de Conservação Prioritária no espaço europeu.
Convenção de Berna - Anexo II
Convenção de Bona – Anexo II
CITES – Anexo II/C1
 Estatuto Fenológico
Residente.
 
Caracterização morfológica
 

Águia de tamanho médio, com uma envergadura que varia entre o 1,5 m e 1,8 m, e com peso entre 1500 a 2400 gr. Em adulta com plumagem escura nas asas, branca na parte inferior do corpo, e com mancha branca típica no centro do dorso (bem visível por ter penas muito escuras em redor). Tem uma banda negra na extremidade da cauda. Os juvenis têm uma plumagem totalmente distinta, com asas castanho escuras e restante corpo em tons castanho amarelados, cor de mel. Progressivamente, ao longo de 4 anos, vai adquirindo os padrões da plumagem adulta. Os sexos distinguem-se sobretudo pelo tamanho, cerca de 20 cm de diferença em termos de envergadura.

Em voo as águias de Bonelli adultas podem confundir-se com outras aves com plumagem branca (ou claro) no ventre como a Águia-calçada ou a Águia-cobreira. A identificação faz-se sobretudo pela detecção do contraste entre o branco do ventre e o negro das asas, muito nítido na Águia de Bonelli, mas também pela mancha branca dorsal e observação do aspecto mais pesado do voo, planando em círculos comparativamente mais abertos e lentos.A grandes distancias a sua silhueta distingue-se da Águia-real pelo facto de ter a ponta das asas ligeiramente dobrada para baixo (contrariamente à A. real).
 
Distribuição mundial
A Águia de Bonelli possui uma distribuição indo-africana, numa extensa área desde a Indochina, Sul da Ásia, Médio Oriente, e em África a Norte e Sul do Saara até à bacia do Mediterrâneo. No Paleárctico Ocidental encontra-se confinada à zona mediterrânica, nomeadamente na Albânia, Bulgária, Chipre, Croácia, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal e Turquia.
A nível Europeu tem sido assinalada uma drástica redução da população em diversas regiões nomeadamente França e na metade norte da Península Ibérica.
 
Distribuição e situação populacional em Portugal
Em Portugal, a Águia de Bonelli nidifica principalmente nas regiões montanhosas e nos vales alcantilados do nordeste, na Beira Baixa, no Alentejo e nas serras algarvias. Ocorre também de forma dispersa na faixa litoral centro, em alguns dos pequenos maciços montanhosos cársicos dessa zona. Diversas áreas do Baixo-Alentejo, nomeadamente as vastas zonas estepárias, são regularmente utilizadas pela espécie como quartéis de dispersão e invernada de imaturos e sub-adultos.
Em Portugal a população apresenta duas tendências demográficas distintas, no norte e centro litoral tem vindo a regredir apresentando parâmetros reprodutores muito baixos. Enquanto que no centro interior, Alentejo e Algarve apresenta alguma estabilidade com parâmetros reprodutores normais, e inclusive em algumas zonas tem sido detectado a instalação de novos casais.
A população nacional nidificante foi recenseada em 1999 e corresponde a 77-80 casais, que se encontram distribuídos pelos seguintes núcleos: Bacia do Douro - 30 casais, Estremadura - 4 casais, Bacia do Tejo - 8 -10 casais, Bacias do Sado e Guadiana - 11 casais e Serras do Sudoeste - 24 casais.
 
Áreas importantes para aves onde ocorre a Águia de Bonelli
Zonas de Protecção Especial
TZPE0037 - Rios Sabôr e Maçãs
PTZPE0038 - Douro Internacional e Vale do Rio Águeda
PTZPE0039 - Vale do Côa
PTZPE0042 - Tejo Internacional, Erges e Ponsul
PTZPE0045 - Moura/Mourão/Barrancos
PTZPE0047 - Vale do Guadiana
PTZPE00xx – Campo Maior
PTZPE0046 – Castro Verde
PTZPE00xx – Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Outras áreas importantes para a espécie são:
  • Parque Natural de Sintra-Cascais
  • Sitio da Serra de São Mamede
  • Parque Natural da Serra Arrábida
  • Sitio de Monchique
  • Sitio de Caldeirão
Ecologia
 
A Águia de Bonelli é uma espécie monogâmica, sendo altamente territorial. Ambos os progenitores cuidam das crias, existindo no entanto uma divisão de tarefas. O macho providencia o alimento durante a nidificação e a fêmea cuida dos crias. Crias semi-altríciais e nidícolas. Em geral cada casal possui vários ninhos que utiliza de forma alternada. O processo nidificante decorre entre Janeiro e Junho, produzindo 1 a 2 crias.
Alimenta-se sobretudo de mamíferos de médio porte ( Coelho-bravo) e aves (Perdiz-vermelha e columbiformes), com menor frequência de répteis. Caça normalmente sozinha podendo também fazê-lo em pares.
Trata-se de uma espécie características dos ecossistemas mediterrâneos, ocorrendo em zonas de média e baixa montanha que combinem zonas tranquilas e protegidas em termos de nidificação com espaços de aproveitamento agro-silvo-pastoril onde se verifique abundância das suas principais presas. Nidifica em superfícies ou penhascos rochosos, e também em árvores.
Os seus habitats de alimentação preferenciais no nosso país correspondem essencialmente a formações pré florestais de diferente composição e estrutura (matos esparsos, matagais mediterrâneos e bosques abertos), mas também outro tipo de habitats dependendo da disponibilidade de presas (montados de sobro e azinho, olivais, orlas de bosques). Dada a especialização na predação de aves, nomeadamente columbiformes, também explora zonas peri-urbanas, falésias litorais e escarpas montanhosas. Fora da época de nidificação recorre também a zonas húmidas, habitats estepários e outros associados a zonas de relevo suave.
 
Ameaças
  • A colisão e electrocussão em linhas aéreas de distribuição e transporte de energia uma vez que espécie possui muita actividade em zonas rurais e peri-urbanas, e utiliza frequentemente apoios eléctricos como poiso de caça e dormitório.
  • A perseguição humana através do abate a tiro e da utilização de iscos envenenados, motivada por conflitos associados ao seu comportamento predatório, constitui um importante factor de mortalidade desta espécie.
  • A rarefacção das populações de Coelho-bravo provocado pelas epizootias mixomatose e pneumonia viral hemorrágica.
  • O abandono e alteração de diversas práticas agro-pecuárias tradicionais, caso da cerealicultura, pastoreio extensivo, pombais tradicionais conduzem a uma diminuição das populações de presas.
  • O desaparecimento das práticas agro-pecuárias tradicionais – abandono dos pombais no Nordeste (Foto António Monteiro)
  • A perturbação humana em zonas de nidificação e durante os períodos mais sensíveis, provocada por actividades agro-silvicolas, actividades cinegéticas, turismo e lazer, conduz a um abaixamento da produtividade da população.
  • Os incêndios florestais assumem forte impacte sobre a população devido à perda de habitat em especial nos núcleos nidificantes do sul do pais onde a espécie nidifica em árvores.
  • A degradação dos habitats de nidificação e/ou alimentação devido à construção de infra-estruturas (barragens, parques eólicos, estradas), instalação de regadios, produção florestal, actividade de extracção de inertes. )
  • A mortalidade de juvenis por doenças, nomeadamente devido à Tricomoniose transmitida a partir dos pombos, pode assumir grande importância para casais muito dependentes desse tipo de alimento.
  • A falta de sensibilidade ambiental por parte de alguns sectores da população rural, como caçadores, criadores de gado, columbófilos, gestores florestais, que vêem nesta espécie um certo entrave para algumas actividades é a causa de conflitos que levam à perseguição da espécie.
  • A falta de conhecimento acerca dos processos da biologia e ecologia da espécie e dos seus factores de ameaça, tem acarretado problemas em termos de selecção e aplicação das mais adequadas estratégias de conservação.

 
Bibliografia / Netgrafia: Revista Bonelli e http://seguimentodeaves.domdigital.pt/


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